POVO TINGUI BOTÓ: AS LUTAS DE 2015 E OS DESAFIOS PARA 2016

2015: não faltou luta

2015!!! Nesse ano completou 515 anos da chegada de Cabral e toda esquadra portuguesa invadindo o Brasil, para mudar a história desta Terra. De lá pra cá muita coisa mudou, no entanto, quando a questão é a relação dos nativos daqui com o “Estado Brasileiro”, até então “Português”, o caráter e os personagens são os mesmos dos mais de cinco séculos atrás. No último ano, a intensidade da Luta foi eminente, constante e duradoura. Desde o início do ano político (que para o Povo Tingui Botó praticamente só começa em fevereiro), se fizemos presentes nos espaços de debate político, construção coletiva, nas ruas, no fechamento de rodovias, nos protestos, nos manifestos políticos e em todos os espaços que pudermos está. Em Fevereiro estivemos participando/construindo junto a Articulação Nacional de Agroecologia-ANA, o Seminário Nacional de Agroecologia, inserindo a questão indígena como pauta do ‘calendário agroecológico brasileiro’.

http://www.agroecologia.org.br/o-acesso-e-o-direito-a-terra-sao-sagrados-afirma-estudante-indigena/

http://www.agroecologia.org.br

Ao longo do ano, nosso povo esteve acompanhando o apoio aos parentes Kariri Xocó em seu processo de retomada de seus territórios sagrados. O processo se arrasta até agora com decisões judiciais sempre desfavoráveis aos parentes, estimulando ainda mais o ânimo à irmos a luta em 2016.

https://www.youtube.com/watch?v=utrz0eXitnM

Em maio/15 foram iniciadas as obras de construções de moradias na Terra Indígena Tingui Botó. São dois projetos que erguerão ao todo 58 moradias e estão sendo tocados pela Caixa Econômica Federal e pela Emater/AL com previsão de entrega para a segunda metade de 2016.

http://agenciaalagoas.al.gov.br/noticias/indigenas-assistidos-pela-emater-recebem-capacitacao-e-comemoram-construcao-de-habitacoes

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Em agosto escrevemos uma nota sobre a situação indígena no Brasil que foi publicada pela entidade estudantil Assembleia Nacional dos Estudantes – Livres do Brasil relatando a conjuntura política e a relação do Estado Brasileiro com os Povos Indígenas.

A inserção da temática do modelo de produção e vida indígena no debate agroecológico resultou na considerável presença indígena no IX Congresso Brasileiro de Agroecologia em Belém no mês de Setembro. Por lá, além de uma mesa tratando especificamente sobre a temática indígena, também foram construídos espaços de diálogos como movimentos sociais como a Via Campesina, e também com o governo, no caso com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. Do CBA, também saiu um documento que trata da questão “Agroecologia e Povos Indígenas”.

http://www.cbagroecologia.org.br/2015/09/garantia-do-territorio-e-essencial-para.html

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Foi em Setembro também, que iniciaram-se as etapas da I Conferência Nacional de Política Indigenista que trouxera a temática “A Relação do Estado Brasileiro com os Povos Indígenas sob a perspectiva da Constituinte de 1988”. A etapa local que contou com o Povo Tingui Botó, aconteceu na Aldeia Ilha de São Pedro do Povo Xokó no estado de Sergipe.

http://www.conferenciaindigenista.funai.gov.br/index.php/2015/10/povos-indigenas-de-alagoas-e-sergipe-se-reunem-em-maceio-para-etapa-regional-da-1a-conferencia-nacional-de-politica-indigenista/

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Fruto das etapas locais da CNPI, aconteceu em outubro um encontro na Aldeia Jiripankó, que contou  com a presença de todos os povos indígenas de Alagoas para discutir temáticas pertinentes a condução, e o desenrolar das etapas seguintes da CNPI.

No mesmo mês aconteceu a etapa Regional da CNPI em Maceió/AL onde foram trabalhados os pontos trazidos das etapas anteriores e retirados os representantes para a etapa seguinte.

Também por esse período, de forma organizativa autônoma lideranças de todo estado reuniram-se na Aldeia Wassu Cokal para deliberarem sobre questões do direito à terra em Alagoas.

Em meio a essa turbulência e organicidade política dos Povos, em Outubro formou a primeira turma do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena ofertado pela UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas. Foram formados cerca de 60 indígenas nas áreas de Biologia, Letras, Pedagogia e História, todas licenciaturas. A perspectiva é de que em 2016 entre uma nova turma de indígenas.

http://g1.globo.com/al/alagoas/altv-1edicao/videos/v/uneal-de-palmeira-dos-indios-forma-indigenas-como-professores/4494172/

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E o final do mês de outubro foi corrido para os Povos Indígenas de todo Brasil. Enquanto estávamos nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas protestando contra a paralisação das demarcações e o genocídio do Povo Guarany Kayowa, em Brasília-DF estava sendo votada e aprovada sob manobras a PEC 215.  A aprovação em comissão especial desse Projeto de Emenda Constitucional gerou revolta não só em Palmas-TO, mas em todos os recantos do país onde houvesse um índio. Em Palmas-TO todos os dias realizamos intervenções, e nas aldeias houveram diversos fechamentos de rodovias federais. O povo Tingui Botó juntou aos Povos Karapotó Plaki-ô e Karapotó Terra Nova e fecharam um ponto da BR 101 a altura da cidade de São Sebastião. A mesma rodovia já encontrava-se fechada em Porto Real do Colégio pelos parentes Kariri Xokó, e em Joaquim Gomes, pelos parente Wassu e Xukuru Kariri.  No alto sertão também houve fechamento de rodovias pelos indígenas.

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http://cadaminuto.com.br/noticia/277295/2015/10/27/indios-fecham-rodovias-em-protesto-contra-a-pec-215

Depois das mobilizações contra a PEC 215, o Movimento Indígena de Alagoas, organizou-se em uma assembleia interna sediada no Povo Tingui Botó.

Em novembro houve, a etapa Agreste da II Conferência Territorial de ATER –Assistência Técnica e Extensão Rural, cuja qual o Povo Tingui Botó esteve participando e construindo propostas para uma ATER específica e de qualidade.

Nesse mesmo mês esteve por Alagoas, o presidente da Funai, Sr João Pedro, que recebeu de lideranças Tingui Botó as demandas desse povo.

Em dezembro a UFAL – Universidade Federal de Alagoas publicou um livro intitulado Educação Indígena Em Alagoas, de autoria da Professora Neila Reis que traz questões relativas a Educação Escolar Indígena do Povo Tingui Botó, povo alvo do trabalho da docente. O livro é fruto de um trabalho permanente conduzido pela Universidade que resgata registros históricos entre depoimentos, áudios, filmagens e diversos outros materiais da questão indígena relativa a Educação em nosso Estado.

http://www.ufal.edu.br/noticias/2015/12/campus-arapiraca-coloca-educacao-indigena-rural-e-quilombola-em-debate

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O ano de 2015 foi encerrado com a participação de nosso povo na I Conferência Nacional de Política Indigenista, onde foram tratadas as formas de relação do Estado Brasileiro com os Povos Indígenas.

2016: NÃO VAI FALTAR LUTA

Se 2015 foi corrido, esse ano não promete ser diferente.  A começar pela retomada dos parentes Kariri Xokó que já saem do Ritual Sagrado “Ouricuri” com um mandado judicial de retirada de seus territórios.

Não será diferente no Congresso Nacional. Com o conservadorismo assustador presente la, é de se esperar que entre as primeiras pautas do ano no nosso legislativo seja de retirada de direitos fundamentais. A PEC 215 foi aprovada em Comissão Especial e seu próximo passo deverá ser a votação em plenário. Se aprovada irá para uma nova votação ainda na Câmara dos Deputados em segundo turno. Somente se novamente for aprovada partirá para o Senado. Não há de nos desligarmos por um minuto sequer assim que aquela casa voltar do recesso.

Tratando de questões internas, nosso povo tem a expectativa de termos entregues as 58 moradias que estão sendo construídas na comunidade pelo programa PNHR- Programa Nacional de Habitação Rural. Outra expectativa diz acerca do apoio da Funai ao etnodesenvolvimento desse povo. Visto que o meio principal de vida de nossos indígenas é exclusivamente da agricultura de subsistência a carência de apoio institucional é fundamental para termos um ano produtivo.

Os demais desafios aparentes estão ligados e relativos a Educação. No fim do ano passado a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas –ALE aprovou um projeto de Lei referente as OS’s – Organizações Sociais que de uma maneira de entendimento simplista são ferramentas dos Estado para terceirizar a Educação em Alagoas. Nesse bolo, lá vai Educação Escolar Indígena. Enquanto lutamos por uma educação diferenciada, acessível, pública, gratuita e de qualidade, com a criação da categoria Professor Indígena, realização de concurso, valorização salarial, formação continuada com a continuidade urgente do CLIND, e escolas em todas a aldeias, nossos governantes vão na contramão de nossos interesses. Mas 2016, não vai faltar Luta.

 

 

 

1500: O Ano que não terminou!!!

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Por Ellane Brum – EL PAIS

Um menino de dois anos foi assassinado. Um homem afagou seu rosto. E enfiou uma lâmina no seu pescoço. O bebê era um índio do povo Kaingang. Seu nome era Vitor Pinto. Sua família, como outras da aldeia onde ele vivia, havia chegado à cidade para vender artesanato pouco antes do Natal. Ficariam até o Carnaval. Abrigavam-se na estação rodoviária de Imbituba, no litoral de Santa Catarina. Era lá que sua mãe o alimentava quando um homem perfurou sua garganta. Era meio-dia de 30 de dezembro. O ano de 2015 estava bem perto do fim.

 

E o Brasil não parou para chorar o assassinato de uma criança de dois anos. Os sinos não dobraram por Vitor.

Sua morte sequer virou destaque na imprensa nacional. Se fosse meu filho, ou de qualquer mulher branca de classe média, assassinado nessas circunstâncias, haveria manchetes, haveria especialistas analisando a violência, haveria choro e haveria solidariedade. E talvez houvesse até velas e flores no chão da estação rodoviária, como existiu para as vítimas de terrorismo em Paris. Mas Vitor era um índio. Um bebê, mas indígena. Pequeno, mas indígena. Vítima, mas indígena. Assassinado, mas indígena. Perfurado, mas indígena. Esse “mas” é o assassino oculto. Esse “mas” é serial killer.

A fotografia que ilustrou as poucas notícias sobre a morte do curumim mostra o chão de cascalho e concreto da estação rodoviária. Um par de sandálias havaianas azul, com motivos infantis. Uma garrafa pet, uma estrelinha de brinquedo, daquelas de fazer molde na areia, uma tampa de plástico do que parece ser um baldinho de criança, uma pequena embalagem em formato de tubo, um pano florido amontoado junto à parede, talvez um lençol. É apresentada como “local do crime” ou como “os pertences do menino”.

Os índios precisam ser falsos porque suas terras são verdadeiras – e ricas

Essa foto é um documento histórico. Tanto pelo que nela está quanto pelo que nela não está. Nela permanece o descartável, os objetos de plástico e de pet, os chinelos restados. Nela não está aquele que foi apagado da vida. A ausência é o elemento principal do retrato.

Os indígenas só podem existir no Brasil como gravura. Apreciados como ilustração de um passado superado, os primeiros habitantes dessa terra, com sua nudez e seus cocares, uma coisa bonita para se pendurar em algumas paredes ou estampar aqueles livros que decoram mesas de centro. Os indígenas têm lugar se estiverem empalhados, ainda que em quadros. No presente, sua persistência em existir é considerada inconveniente, de mau gosto. Há vários projetos tramitando no Congresso para escancarar suas terras para a exploração e o “progresso”. Há muitos territórios indígenas devidamente reconhecidos que o governo de Dilma Rousseff (PT) não homologa porque neles quer construir grandes obras ou porque teme ferir os interesses do agronegócio. Há uma Fundação Nacional do Índio (Funai) em progressivo desmonte, tão fragilizada que com frequência se revela também indecente. No passado, os índios são. No presente, não podem ser.

Como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, os indígenas são especialistas em fim de mundo, já que o mundo deles acabou em 1500. Tiveram, porém, o desplante de sobreviver ao apocalipse promovido pelos deuses europeus. Ainda que centenas de milhares tenham sido exterminados, sobreviveram à extinção total. E porque sobreviveram continuam sendo mortos. Quando não se consegue matá-los, a estratégia é convertê-los em pobres nas periferias das cidades. Quando se tornam pobres urbanos, chamam-nos de “índios falsos”. Ou “paraguaios”, em mais um preconceito com o país vizinho. No passado, os índios são alegoria. “Olha, meu filho, como eram valentes os primeiros habitantes desta terra.” No presente, são “entraves ao desenvolvimento”. “Olha, meu filho, como são feios, sujos e preguiçosos esses índios fajutos.” Os índios precisam ser falsos porque suas terras são verdadeiras – e ricas.

A morte dos curumins não muda nenhuma política, as fotos de sua ausência não comovem milhões

Se Vitor era um entrave, esse entrave foi removido. Por isso essa foto é um documento histórico. Se houvesse alguma honestidade, é ela que deveria estar nas paredes.

Parece não bastar que Vitor, um bebê de dois anos, passasse semanas no chão de uma rodoviária porque a violência contra seu povo foi tanta e por tantos séculos e ainda hoje continua que seus pais, Sônia e Arcelino, precisam deixar a aldeia para vender artesanato. A preços baixos, porque desvalorizados são os artesãos. É importante perceber o nível de desamparo que leva alguém a considerar rodoviária um lugar seguro e acolhedor. Terminais rodoviários são locais de passagem, e a família de Vitor, assim como a de outros indígenas, abriga-se lá porque há movimento. Rodoviária é lugar de ninguém. E por isso nela costumam caber os mendigos, os meninos de rua, os bêbados, as putas, os loucos, os párias. E os índios. Ou cabiam. E já não cabem mais.

Rodoviárias são espaços de circulação de estranhos, e por serem “os outros”, os estrangeiros nativos, os indígenas acreditam que neste não lugar têm chance de escapar da expulsão. Mas seguidamente são expulsos. Parte da população dos municípios em que os indígenas aparecem com seu artesanato acha que a rodoviária é boa demais pra índio. Ou pra “bugre”, como são chamados em algumas regiões do sul do país. “A rodoviária é o cartão postal da cidade, período que tem tanta gente viajando, chegando. Que imagem vão levar da cidade?”, justificou um comerciante de São Miguel do Oeste, também em Santa Catarina, para justificar a expulsão dos indígenas do local antes do Natal.

Vitor já não estraga nenhum cartão postal. Dele não há nem mesmo um rosto. A foto de sua ausência não comoverá milhões pelo planeta como aconteceu com o menino sírio trazido pelas ondas do mar. A morte dos curumins não muda nenhuma política.

Antes que me acusem de precipitação, exagero ou injustiça, é preciso dizer: os “cidadãos de bem” não querem que crianças indígenas tenham seus pescoços perfurados. De jeito nenhum. Apenas que elas fiquem longe da vista. Em outro lugar em que não contaminem, sujem ou enfeiem. Mas também não nas suas terras, se estas forem ricas em minérios, férteis pra soja ou boa pra gado pastar. Aí também é abuso. Desapareçam, apenas. Mas matar, não, matar é maldade.

2015 foi o ano em que esse discurso deu ao Brasil o bicampeonato. O deputado estadual Fernando Furtado, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi reconhecido como “Racista do Ano” pela organização Survival International por seu pronunciamento antológico, ao se manifestar numa audiência pública: “Lá em Brasília, o Arnaldo viu os índios tudo de camisetinha, tudo arrumadinho, com flechinha, tudo um bando de viadinho, que tinha uns três que eram viado, que eu tenho certeza, viado. Eu não sabia que tinha índio viado, fui saber naquele dia em Brasília… Tudo viado. Então é desse jeito que tá, como é que índio já consegue ser viado, boiola, e não consegue trabalhar e produzir? Negativo!”.

Para parte dos moradores de cidades da região sul, os indígenas “sujam” o cartão postal

O parlamentar se referia aos Awá-Guajá, considerados um dos povos mais vulneráveis do planeta. A conquista de Fernando Furtado, porém, não é inédita. Outro parlamentar, Luis Carlos Heinze, este deputado federal pelo Partido Progressista (PP) do Rio Grande do Sul, já tinha subido ao pódio em 2014, com a seguinte declaração: “O governo… está aninhado com quilombolas, índios, gays e lésbicas, tudo o que não presta”. Tudo indica que o Brasil é quase imbatível para o tricampeonato. Fala-se tanto em país polarizado, mas a premiação prova que os indígenas são um raro ponto de unanimidade entre certa direita e certa esquerda dessa grande nação.

Vitor, o bebê assassinado, vivia na aldeia Condá, no município de Chapecó, no oeste de Santa Catarina. Os crimes cometidos pelo Estado contra o povo Kaingang da região sul do Brasil estão registrados no Relatório Figueiredo, um documento histórico que se acreditava perdido e que foi descoberto no final de 2012. O relatório, datado de 1968, documentou o tratamento dado aos povos indígenas pelo extinto Serviço de Proteção aos Índios (SPI). No total, o procurador Jáder Figueiredo Correia dedicou 7.000 páginas para contar o que sua equipe viu e ouviu. Quem quiser compreender por que Vitor se abrigava no chão da rodoviária de Imbituba em vez de passar os meses de verão seguro, saudável e feliz na sua aldeia, tem uma rica fonte de informações no documento disponível na internet. Vai descobrir, entre outras atrocidades, como antepassados de Vitor chegaram a ser torturados e a viver em condições análogas à escravidão para que suas terras fossem desmatadas e exploradas pelos não índios, em pleno século 20. É possível que alguns destes “empreendedores” sejam avós daqueles que hoje acham que indígenas como Vitor sujam o cartão postal de suas cidades.

Começamos 2016 como acabamos 2015: obscenos. Os fogos do Ano-Novo já fracassam no artifício

Depois do assassinato do bebê, a Polícia Militar prendeu o suspeito de sempre. Um rapaz pobre, em liberdade provisória, com “uma pequena quantidade de maconha e cocaína na mochila”. Como não havia nenhum indício contra ele, foi liberado. Em seguida, foi preso outro jovem, hoje considerado o principal suspeito. A polícia procurava alguém bastante genérico: com mochila e boné e tipo físico semelhante ao que aparece num vídeo gravado por uma câmera de segurança. A suspeita de policiais militares é de que o assassino estaria “incomodado com a presença dos indígenas no local”. A Polícia Civil mencionou como possíveis motivações “preconceito”, “surto” e “problemas psicológicos”. Em nota, o CIMI afirmou: “O Conselho Indigenista Missionário manifesta preocupação com o clima de intolerância que se propaga, na região sul do país, contra os povos indígenas. Um racismo – às vezes velado, às vezes explícito – é difundido através de meios de comunicação de massa e em redes sociais”.

Quem de fato assassinou Vitor talvez seja investigado, julgado, condenado e punido, o que já é uma raridade em mortes de indígenas no Brasil, marcadas pela impunidade. Mas é preciso fazer perguntas mais complicadas. Quem armou essa mão? Que encruzilhada histórica permitiu que Vitor fosse o bebê escolhido pelo assassino, independentemente de sua sanidade ou insanidade – e não o meu filho ou o seu? Onde estamos nós nesta foto em que estamos sem estar?

Tem se dito que 2015, um ano de crise no Brasil e horror em todas as partes, é o ano que não terminou. 2016 seria apenas um looping. Faz sentido. Na véspera deste Natal, Antônio Isídio Pereira da Silva, líder rural e ambientalista no Maranhão, foi encontrado morto. Era mais um assassinato anunciado. Há um ano foi arquivado o pedido de inclusão do agricultor no programa federal de proteção aos defensores de direitos humanos. Ele se preparava para denunciar mais um desmatamento ilegal numa região com graves conflitos de terra quando foi assassinado. Também no Natal, cinco jovens denunciaram policiais militares do Rio por tortura e roubo. Segundo seu relato, eles voltavam em três motos de uma festa quando foram detidos por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora de Coroa, Fallet e Fogueteiro. Além de torturas com faca quente, isqueiro e socos, um deles teria sido obrigado a fazer sexo oral no amigo. Em São Paulo, levou apenas dois dias para ocorrer a primeira chacina de 2016, com quatro mortos na periferia de Guarulhos. Suspeita-se de vingança pela morte de um PM dias antes na região.

Começamos como acabamos. Nada, portanto, nem começou nem acabou. Quem continua morrendo de assassinato no Brasil, em sua maioria, são os negros, os pobres e os índios. O genocídio segue diante da indiferença, quando não aplauso, do que se chama de sociedade brasileira. Começamos 2016 como acabamos 2015. Obscenos. Os fogos do Ano-Novo já fracassam no artifício. Estamos nus. E nossa imagem é horrenda. Ela suja de sangue o pequeno corpo de Vitor por quem tão poucos choraram.

Dizem que 2015 é o ano que não acaba. Ou que 2015 é que não chega ao fim.

Para os indígenas é muito mais brutal: o ano de 1500 ainda não terminou

Dia do Índio: 10 sugestões de atividades para escolas

19 de abril, Dia do Índio. É comum as escolas comemorarem a data fantasiando e pintando as crianças, à semelhança do que fazem na Páscoa. Sai o coelhinho, entra o índio. A figura indígena, abordada desta maneira, se torna tão irreal quanto um coelho gigante que traz ovos de chocolate em embalagens coloridas.
Preparamos algumas sugestões de atividades para tratar do tema sem preconceitos, estereótipos, romantismo ou nostalgia:

Por Lilian Brandt/AXA

1. Estude e repense seus (pre)conceitos

Mais importante do que promover uma atividade divertida, é estar bem informado. A reportagem especial “As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas” esclarece as afirmações mentirosas mais recorrentes e muitas delas provavelmente já foram contadas por professores e alunos. Confira e comece por aí!

2. Priorize informações sobre os indígenas na atualidade

Refletir sobre a história dos povos indígenas é muito importante, mas tenha sempre o cuidado de trazer outros pontos de vista, e não só o de Cabral. Muitos pesquisadores indígenas fazem suas próprias análises da história de seus povos e do contato com a nossa sociedade. Além do mais, é importante superarmos o pensamento de que “índio é coisa do passado”.
Portanto, além de trazer a história e enfatizar aspectos culturais, como festas e rituais, lembre-se de trazer questões atuais: uso de tecnologias (produção de vídeos e redes sociais, por exemplo) e a atuação política.

3. Valorize a diversidade de povos

Cordolina-Rodrigues-Neta-Valdineide-Rodrigues-dos-Santos-e-Emilia-Neves-Rodrigues-Indias-da-tribo-WR-1024x679Muitas vezes os professores promovem atividades escolares com boas intenções, como pintar as crianças com duas linhas paralelas nas bochechas, colocar um cocar de brinquedo e dançar músicas em línguas que as crianças não compreendem. Estas atividades podem até trazer um sentimento positivo das crianças em relação aos indígenas, mas não trazem a realidade.
Temos no Brasil mais de 240 povos indígenas. A reprodução da imagem de um “índio genérico”, caracterizado por pinturas, vestimentas e aspectos físicos exclui diversas etnias e indivíduos, que por diversas questões não se enquadram neste padrão imaginário.
Não generalize. Lembre-se de evidenciar a diversidade de povos indígena e suas particularidades. Mostre também indígenas ressurgidos, de cabelo crespo, sem pinturas, universitários, etc. Traga exemplos reais e explique qual a etnia, onde está localizada e aspectos de sua cultura.

4. Convide indígenas para a escola

Qualquer atividade pode se tornar muito mais interessante se tiver a participação de indígenas. Convide-os para fazer uma palestra sobre suas vidas, seu povo,espiritualidade, conhecimento da natureza,produção artística ou o que eles desejarem!
O convidado indígena também pode fazer uma oficina de artesanato, pintura, culinária ou de brincadeiras tradicionais de seu povo.

5. Incentive-os a navegar

O site Povos Indígenas do Brasil – PIB Mirim, do Instituto Socioambiental (ISA), possui bastante material destinado à pesquisa escolar, divulgando informações com uma linguagem acessível ao público infanto-juvenil. Há também atividades interativas como a Aldeia Virtual, jogo online situado em uma aldeia no Cerrado brasileiro. Cada criança escolhe o avatar de um índio, podendo conversar com outros participantes e jogar, sempre aprendendo sobre as culturas indígenas.
O Portal Índio Educa conta com diversos colaboradores indígenas, que trazem o olhar de diferentes povos sobre questões atuais. São pequenos textos, fotografias e vídeos que tratam de temas como cultura, história e atualidade. Há também vários textos para auxiliar os professores a trabalhar a temática indígena em sala de aula.

6. Faça um festival de cinema

Existe uma produção infinita sobre o tema, muitas delas feitas por indígenas. Sugerimos aqui os mais “clássicos”:

Índios no Brasil

É uma série produzida justamente para inserir adiscussão sobre histórias e culturas indígenas nas escolas. São 10 programasapresentados pela liderança indígena Ailton Krenak, cada um com cerca de 20 minutos.
Apesar de ter sido produzida há 10 anos, a série traz muitas questões atuais.A partir do olhar de nove povos indígenas, a série retrata a relação dessas etnias com a natureza, com o sobrenatural e com a sociedade brasileira. Os programas trazem também depoimentos de não-indígenas, especialistas e pessoas comuns.
Você pode baixar nos sites da TV Escola e Vídeo nas Aldeias

Pajerama

curta-_-pajerama-03O curta metragem Pajerama é sobre um indígena que está andando na floresta e de repente… (não vou contar para não perder a graça!). É uma animação linda, que possibilita refletir sobre a expansão do espaço urbano e o encontro com a nossa sociedade.
Pessoas de todas as idades podem gostar, e como não tem falas, pode ser especialmente interessante para crianças, inclusive as indígenas.
Assista aqui.

Das Crianças Ikpeng para o mundo

Um filme super fofo! Crianças Ikpeng apresentam sua aldeia, família, brincadeiras, festas e seu cotidiano. É um filme leve e instigante, pois o tempo todo elas perguntam para quem está assistindo sobre como é a sua vida, curiosas em conhecer crianças de outras culturas.
Assista aqui.

7. Fale de política

kamikiaimg_5848Estamos vivendo um momento tão terrível em relação aos direitos indígenas, que não dá para ignorar e mostrar só o lado “bonito” do tema.
O Dia do Índio foi instituído no Brasil pelo presidente Getúlio Vargas, em 1943. A data faz referência http://www.axa.org.br/wp-admin/post-new.phpao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu no México em 1940. Os índios não participaram nos primeiros dias do evento, mas no dia 19 de abril tiveram uma grande participação. Portanto, fale de participação, fale de mobilização, fale de luta!
Acompanhe a Mobilização Nacional Indígena e explique as principais reivindicações dos indígenas.

8. Ouçam músicas indígenas

Talvez alguém ainda considere a possibilidade de tocar para as crianças as músicas “Vamos Brincar de Índio” da Xuxa e “Curumin Iê Iê” da Mara Maravilha. Outros mais sofisticados podem preferir “Um Índio” do Caetano ou “Índios” de Legião Urbana. Há ainda aquelas músicas “new age” com referências aos índios norte-americanos.
Mas independente de seu gosto musical, não toque somente músicas SOBRE indígenas, toque músicas DE indígenas. A Rádio Yandê toca diversas músicas de indígenas, além de programas informativos que abordam a realidade indígena.

9. Sirva comidas que aprendemos com os indígenas

Além de deliciosas e nutritivas, as comidas podem instigar um debate sobre a biodiversidade e o trabalho de agricultura e melhoramento genético que os indígenas fazem há milhares de anos. Que talbolo de milho, tapioca, pipoca e frutas nativas?

10. Torne a questão indígena interdisciplinar e contínua

Como já disseram Tim Maia e Jorge Benjor, antigamente “todo dia era dia de índio”. Não deixe que hoje ele só tenha o 19 de abril! A Lei 11.645/08, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”, ressalta a importância de trazer as suas contribuições nas áreas social, econômica e política. Relacione o tema com os conteúdos de Português (temos diversas palavras em nosso vocabulário de origem indígena), Geografia (noção de território), História (contato, escravidão e lutas) e Ciências (conhecimento indígena da biodiversidade brasileira). Leve estas questões para a sala de aula ao longo do ano todo.

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NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DOS 5 GUERREIROS INDÍGENAS

É com profundo pesar que todos os Povos Indígenas de Alagoas se unem para lamentar a passagem para o plano espiritual dos parentes Welton Mendonça de Farias – Kariri-Xocó (servidor da Funai há 10 anos, chefe da Coordenação Técnica Local em Porto Real do Colégio), o grande cacique Karapotó de Terra Nova, Antônio José Filho, conhecido como Cacique Isidoro; seu filho Rosivan dos Santos; José Wilton Tavares Vieira Silva e Dyarone Luiz Feitosa, ambos Kariri-Xocó.  Welton era responsável por representar a Funai, junto as comunidades  Kariri Xocó, Karapotó, Aconã e Tingui Botó, e era quem conduzia o veículo L200 da Funai quando aconteceu a tragédia. Antônio Isidoro era cacique da aldeia Karapotó Terra Nova e importante liderança na luta indígena em Alagoas, assim como seu filho Rosivan dos Santos que era vereador pela cidade de São Sebastião/AL. Informações sobre o acidente aqui. Os outros eram jovens lideranças da comunidade Kariri Xocó. Enlutadas, as comunidades indígenas de Alagoas estão enviando guerreiros para participarem do cerimonial fúnebre nas aldeias Karapotó e Kariri Xocó, que estão em clima de luto. A Funai emitiu nota lamentando a morte dos parentes e se dispôs a colaboram no que for preciso. Confira a nota aqui.

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Nós indígenas lamentamos com profunda dor a morte dos parentes, e consternados de sentimentos somente refletimos e pedimos para que cada um dos cinco guerreiros que partiram estejam sob a proteção de Tupã.

Índios Tingui Botó dão um gole d’água ao Velho Chico

Guimarães Rosa (27-06 de 1908/ 19-11 de 1967) um dos mais importantes escritores brasileiros tinha uma paixão pelo Sertão. Isso pode ser percebido em suas obras e romances.

Em uma dessas – Grandes Sertões Veredas -, onde boa parte da história acontece nos estados da Bahia e Minas Gerais, e claro, no Rio São Francisco (página 84), o escritor deixa ecoar o regionalismo brasileiro, através do cancioneiro popular, diante de tudo que o ‘Velho Chico’ representa, e pelo que já nos propiciou, e ainda nos propicia, o beiradeiro agradece:

“Meu rio de São Francisco, nesta grande turvação, vim te dar um gole d’água e pedir tua benção!”. Um ato simbólico de respeito e devoção para quem os alimenta e mata a sede por mais de 500 anos, já contado no livro de 1964.

E nesta terça-feira (03), e simbolismo ganhou as ruas históricas de Penedo, sendo cantado e gritado pelos índios Tingui Botó, de Feira Grande. “Todos nós estamos sofrendo pela situação de degradação do Rio São Francisco. As hidrelétricas represaram as águas do nosso Rio. As hidrelétricas, a União, não são os donos do Velho Chico, nos que somos os verdadeiros, as comunidades tradicionais que dele sobrevivem, dependem e pescam”, gritou o indígena.

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Henrique Tingui Botó, em sua fala, ainda fez uma alusão não somente ao movimento ‘Viro Carranca’, mas, garantiu que os índios estão prontos para lutar e morrer pelo Rio São Francisco.

Roberto Miranda – aquiacontece.com.br

Coordenadores da FPI, os promotores Lavínia Fragoso e Alberto Fonseca, participaram de mesa redonda, presidida pelo secretário do Comitê, Maciel Oliveira

“Estamos pintados de vermelho, simbolizando que estamos preparados pera uma guerra. Lutar em defesa do ‘Velho Chico’. Mas, este momento é de paz. Porém, se preciso for, sangue derramaremos por ele. E digo mais, não virem só carranca, virem animais pela sua defesa”, proclamou.

O dia 03 de junho foi marcado por manifestações em várias cidades ribeirinhas, com ações voltadas em defesa do Rio São Francisco. Em Penedo, a terça-feira teve início com um café da manhã para a imprensa, representantes de diversos segmentos, tanto da sociedade, quando do poder público. Além da participação dos ribeirinhos.

Também ocorreu uma mesa redonda, com os coordenadores da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco em Alagoas, os promotores do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL), Lavínia Fragoso e Alberto Fonseca. O ciclo foi presidido pelo secretário Executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Maciel Oliveira.

Após, os ‘carrancas’, movimento lançado para atrair moradores da bacia do Rio São Francisco, pala lutar pela sua defesa, saíram de mãos dadas pelas principais ruas de Penedo, até o porto das balsas, momento que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), realizou a inserção 100 mil peixes nativos das espécies, xira, piau.

 

por Roberto Miranda

Fonte: AquiAacontece

19 DE ABRIL: DIA DE ÍNDIO – UMA BREVE REFLEXÃO

Mais um mês de Abril em curso e como sempre o dia 19 de Abril é lembrado nos ambientes da sociedade como o Dia do Índio. Não existem estudos que comprovem, no entanto percebe-se que a imagem do indígena brasileiro na visão da sociedade nacional é muito contraditória em relação a realidade vivida pelos quase 900 mil nativos remanescentes nesta terra.

Claramente é nesse período do ano que a sociedade de uma forma geral remete, embora de maneira tímida e ingênua, a refletir sobre o papel e a importância dos povos autóctones para a formação da conjuntura social atual.Imagem

Aproveitamos essa data para incitar uma abordagem reflexiva, sobre o que os não-indígenas ‘brancos’ devem observar em relação aos aspectos históricos e contemporâneos das sociedades indígenas, e sua contribuição para a caracterização do espaço que vivemos.

Outrora, os nativos aqui habitantes foram inseridos num contexto de seres inferiores carentes de catequização e ensinamentos. Ao longo do tempo, o ódio destilado aos indígenas foi aumentando conforme aumentava a resistência de diversas nações indígenas ao subjugamento imposto pelos colonizadores. Mesmo assim, embora a ‘História do Brasil’ tenda a ‘Estória do Brasil’, e seja retratada indignamente quando se insere os indígenas, não há em nenhuma hipótese como não atribuir aos Povos Indígenas grande parte da mão-de-obra de construção desse país. Constatamos que a forma com que se mostra o papel indígena na formação do Brasil é indigna, pois não se considera tal importância dessas sociedades nos seus mais diversos aspectos.

” Se a palavra genocídio foi algumas vez aplicada com precisão a um caso, então é esse (a conquista da América). Nenhum dos grandes massacres do século XX pode comparar-se a esse catombe.” Tzevtan Todorov

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Quando se observa a relação sociedade diversa x sociedades indígenas na contemporaneidade, não se relata grandes diferenças nas formas de diálogo e convivência se comparado aos séculos de conflitos e explorações. É atribuída ao indígena uma figura mística e folclórica, totalmente surreal, não considerando a realidade dos povos resistentes. Intencionalmente prefere-se que as crianças vão a escola e aprendam que Pedro Álvares Cabral ‘descobriu’ o Brasil em 1500 e toda aquela (es)(hi)stória que ousam em continuarem fraudando. São nesses pequenos detalhes que residem todas as heranças de séculos de expropriação, danos, desastres, mágoas, saques, roubos (morais, culturais e materiais), crimes, e malfeitos que permanecem mais presentes do que nunca na vida de cada indígena. Essa forma de exterminar os Povos indígenas ocorre de forma velada nos dias de hoje. São simples entendimentos e percepções da constante luta de classes que vivemos que pode-se observar que estamos inseridos num contexto de excluídos socialmente, sujeitos ao extermínio contínuo que ainda perpetua por longos 514 anos.

Esse massacre contínuo aos indígenas pode ser visto mais cruel e claramente em alguns povos que se destacam dos demais, por sofrerem ataque direto dos neocolonizadores/neoexploradores dos indígenas. Nitidamente vivemos as margens da sociedade, ostentando indicadores sociais deploráveis, que nos certificam de que continuamos nos alimentando das migalhas que caem das mesas dos poderosos, representados nos dias de hoje por ruralistas destruidores da natureza declaradamente favoráveis a extinção dos nativos brasileiros.

No entanto, embora os ‘antindígenas’ sejam representativos politicamente e financeiramente, a certeza que podemos ter é que a galhardia defendida pelos verdadeiros donos da terra brasileira ao longo de séculos jamais será deturpada, e que nós sempre iremos RESISTIR PRA EXISTIR

Projeto de recuperação hidrográfica está sendo desenvolvido na comunidade Tingui Botó

Nos últimos meses a Neogeo Consultoria em parceria com A Fundação Peixe Vivo e o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco vêm desenvolvendo na Terra Indígena Tingui Botó o Projeto de Recuperação da Micro Bacia do Rio Boiacica nos entornos da área indígena. O Rio que percorre toda extensão da área indígena é um dos principais afluentes do Rio São Francisco, e tem sido gravemente degradado ao longo de seu percurso que se estende desde meados da região de Girau do Ponciano até sua desagua nos entornos de Penedo. Esse rio percorre áreas constantemente utilizadas para produção animal, ficando suas margens descobertas de vegetação ocasionando no constante assoreamento ao longo do rio. A degradação do Boiacica é tão preocupante para a comunidade indígena quanto a manutenção de costumes, e modos de vida que dependem exclusivamente das águas dele. Outrora permanente, atualmente as águas do Boiacica ocorrem de forma temporária, sendo que em algumas épocas do ano, a correnteza das águas chegam a ser quase que cessadas. Entre os aspectos positivos desse projeto de recuperação está o cercamento da área de mata da comunidade para evitar possíveis invasões na área por posseiro vizinhos, que degradam a fauna e a flora da área indígena através do desmatamento de pequenas áreas e principalmente da caça predatória. Outro benefício para a comunidade é o beneficiamento e recuperação de estradas vicinais dentro da própria comunidade, evitando assim que os indígenas precisem circularem por fora da área para terem acesso a alguns pontos do território. No mais, concomitantemente está sendo desenvolvido um trabalho de cunho social, articulado pelos próprios indígenas com supervisão das articulações gestoras, onde é feita a conscientização social através de palestras, mesas, e panfletagem nas comunidade vizinhas referente a preservação do ambiente natural e a importância dos recursos hídricos.
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Em meio ao desenvolvimento desenfreado que ousam considerar como “progresso”, a manutenção do elo ‘homem-natureza’ é indispensável para a construção de uma sociedade mais conscientizada dos frutos de suas ações. Portanto, é válido qualquer iniciativa que de alguma forma busque manter o homem nativo junto de sua mãe Terra.

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