TINGUI BOTÓ MARCA PRESENÇA NO II SEMINÁRIO DA CBHSF

Cerca de 100 lideranças de 20 povos indígenas da bacia do rio São Francisco se reniram neste final de semana em Petrolândia (PE) para discutirem assuntos de interesse comum, relacionados com a vida em comunidade, a exemplo da demarcação de terras, os direitos indígenas e as questões ambientais, como o impacto das barragens sobre o rio e a perspectiva de implantação de usinas nucleares na bacia.

O II Seminário de Povos Indígenas da Bacia do Rio São Francisco começou neste sábado  (22.9) prosseguindo até o domingo (23.9). Da programação constaram palestras, debates, mesa-redonda, além da construção de um documento conclusivo. O evento aconteceu no hotel Pontal do Lago, localizado às margens do reservatório da barragem de Itaparica.

O encontro foi promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – CBHSF, e contou com o apoio da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – Apoinme.

Dentre os 62 membros que compõem o Comitê, dois são representantes indígenas: Marcos Avilquis Campos, o Sabaru, do povo Tingui-Botó, de Alagoas, e Mezaque da Silva de Jesus, do povo Pataxó, de Minas Gerais.

O seminário foi uma reivindicação dos povos indígenas da bacia, que até então se reuniam somente a cada três anos, para elegerem, por voto direto, os representantes no colegiado. Em 2011 o Comitê realizou o I Seminário de Povos Indígenas da Bacia do Rio São Francisco na aldeia dos Tingui-Botó, no município de Feira Grande (AL), com a participação de 70 lideranças de 18 povos. O secretário executivo do CBHSF, José Maciel Nunes de Oliveira, assinalou o significado do encontro anual:

“A partir do momento em que pudemos dispor dos recursos originários da cobrança pelo uso da água do rio acatamos essa demanda, porque é importante para o Comitê ouvir os povos indígenas, sentir o olhar desses povos que conhecem o rio e a bacia como ninguém. O encontro também é importante para que eles possam se inserir no processo de gestão participativa dos recursos hídricos e serem contemplados nos projetos de recuperação hidroambiental que o Comitê começa a implantar em localidades da bacia”.

A apresentação e discussão dos projetos de recuperação hidroambiental do Comitê integram a pauta do seminário. O objetivo da iniciativa é aumentar a qualidade e a quantidade de água em pequenas comunidades, inclusive as indígenas. As obras priorizam a recuperação de nascentes e a adequação de estradas, com vistas a impedir ou inibir o assoreamento de rios e córregos.   .

De acordo com Marcos Sabaru, liderança dos Tingui-Botó, vivem atualmente na bacia 36 povos indígenas, que formam uma população de cerca de 76 mil pessoas, descendentes dos primeiros povoadores da bacia. A presença indígena ocorre em todas as regiões – Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco -, nos território de Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.

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