19 DE ABRIL: DIA DE ÍNDIO – UMA BREVE REFLEXÃO

Mais um mês de Abril em curso e como sempre o dia 19 de Abril é lembrado nos ambientes da sociedade como o Dia do Índio. Não existem estudos que comprovem, no entanto percebe-se que a imagem do indígena brasileiro na visão da sociedade nacional é muito contraditória em relação a realidade vivida pelos quase 900 mil nativos remanescentes nesta terra.

Claramente é nesse período do ano que a sociedade de uma forma geral remete, embora de maneira tímida e ingênua, a refletir sobre o papel e a importância dos povos autóctones para a formação da conjuntura social atual.Imagem

Aproveitamos essa data para incitar uma abordagem reflexiva, sobre o que os não-indígenas ‘brancos’ devem observar em relação aos aspectos históricos e contemporâneos das sociedades indígenas, e sua contribuição para a caracterização do espaço que vivemos.

Outrora, os nativos aqui habitantes foram inseridos num contexto de seres inferiores carentes de catequização e ensinamentos. Ao longo do tempo, o ódio destilado aos indígenas foi aumentando conforme aumentava a resistência de diversas nações indígenas ao subjugamento imposto pelos colonizadores. Mesmo assim, embora a ‘História do Brasil’ tenda a ‘Estória do Brasil’, e seja retratada indignamente quando se insere os indígenas, não há em nenhuma hipótese como não atribuir aos Povos Indígenas grande parte da mão-de-obra de construção desse país. Constatamos que a forma com que se mostra o papel indígena na formação do Brasil é indigna, pois não se considera tal importância dessas sociedades nos seus mais diversos aspectos.

” Se a palavra genocídio foi algumas vez aplicada com precisão a um caso, então é esse (a conquista da América). Nenhum dos grandes massacres do século XX pode comparar-se a esse catombe.” Tzevtan Todorov

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Quando se observa a relação sociedade diversa x sociedades indígenas na contemporaneidade, não se relata grandes diferenças nas formas de diálogo e convivência se comparado aos séculos de conflitos e explorações. É atribuída ao indígena uma figura mística e folclórica, totalmente surreal, não considerando a realidade dos povos resistentes. Intencionalmente prefere-se que as crianças vão a escola e aprendam que Pedro Álvares Cabral ‘descobriu’ o Brasil em 1500 e toda aquela (es)(hi)stória que ousam em continuarem fraudando. São nesses pequenos detalhes que residem todas as heranças de séculos de expropriação, danos, desastres, mágoas, saques, roubos (morais, culturais e materiais), crimes, e malfeitos que permanecem mais presentes do que nunca na vida de cada indígena. Essa forma de exterminar os Povos indígenas ocorre de forma velada nos dias de hoje. São simples entendimentos e percepções da constante luta de classes que vivemos que pode-se observar que estamos inseridos num contexto de excluídos socialmente, sujeitos ao extermínio contínuo que ainda perpetua por longos 514 anos.

Esse massacre contínuo aos indígenas pode ser visto mais cruel e claramente em alguns povos que se destacam dos demais, por sofrerem ataque direto dos neocolonizadores/neoexploradores dos indígenas. Nitidamente vivemos as margens da sociedade, ostentando indicadores sociais deploráveis, que nos certificam de que continuamos nos alimentando das migalhas que caem das mesas dos poderosos, representados nos dias de hoje por ruralistas destruidores da natureza declaradamente favoráveis a extinção dos nativos brasileiros.

No entanto, embora os ‘antindígenas’ sejam representativos politicamente e financeiramente, a certeza que podemos ter é que a galhardia defendida pelos verdadeiros donos da terra brasileira ao longo de séculos jamais será deturpada, e que nós sempre iremos RESISTIR PRA EXISTIR

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