Índios Tingui Botó dão um gole d’água ao Velho Chico

Guimarães Rosa (27-06 de 1908/ 19-11 de 1967) um dos mais importantes escritores brasileiros tinha uma paixão pelo Sertão. Isso pode ser percebido em suas obras e romances.

Em uma dessas – Grandes Sertões Veredas -, onde boa parte da história acontece nos estados da Bahia e Minas Gerais, e claro, no Rio São Francisco (página 84), o escritor deixa ecoar o regionalismo brasileiro, através do cancioneiro popular, diante de tudo que o ‘Velho Chico’ representa, e pelo que já nos propiciou, e ainda nos propicia, o beiradeiro agradece:

“Meu rio de São Francisco, nesta grande turvação, vim te dar um gole d’água e pedir tua benção!”. Um ato simbólico de respeito e devoção para quem os alimenta e mata a sede por mais de 500 anos, já contado no livro de 1964.

E nesta terça-feira (03), e simbolismo ganhou as ruas históricas de Penedo, sendo cantado e gritado pelos índios Tingui Botó, de Feira Grande. “Todos nós estamos sofrendo pela situação de degradação do Rio São Francisco. As hidrelétricas represaram as águas do nosso Rio. As hidrelétricas, a União, não são os donos do Velho Chico, nos que somos os verdadeiros, as comunidades tradicionais que dele sobrevivem, dependem e pescam”, gritou o indígena.

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Henrique Tingui Botó, em sua fala, ainda fez uma alusão não somente ao movimento ‘Viro Carranca’, mas, garantiu que os índios estão prontos para lutar e morrer pelo Rio São Francisco.

Roberto Miranda – aquiacontece.com.br

Coordenadores da FPI, os promotores Lavínia Fragoso e Alberto Fonseca, participaram de mesa redonda, presidida pelo secretário do Comitê, Maciel Oliveira

“Estamos pintados de vermelho, simbolizando que estamos preparados pera uma guerra. Lutar em defesa do ‘Velho Chico’. Mas, este momento é de paz. Porém, se preciso for, sangue derramaremos por ele. E digo mais, não virem só carranca, virem animais pela sua defesa”, proclamou.

O dia 03 de junho foi marcado por manifestações em várias cidades ribeirinhas, com ações voltadas em defesa do Rio São Francisco. Em Penedo, a terça-feira teve início com um café da manhã para a imprensa, representantes de diversos segmentos, tanto da sociedade, quando do poder público. Além da participação dos ribeirinhos.

Também ocorreu uma mesa redonda, com os coordenadores da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco em Alagoas, os promotores do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL), Lavínia Fragoso e Alberto Fonseca. O ciclo foi presidido pelo secretário Executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Maciel Oliveira.

Após, os ‘carrancas’, movimento lançado para atrair moradores da bacia do Rio São Francisco, pala lutar pela sua defesa, saíram de mãos dadas pelas principais ruas de Penedo, até o porto das balsas, momento que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), realizou a inserção 100 mil peixes nativos das espécies, xira, piau.

 

por Roberto Miranda

Fonte: AquiAacontece

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